Apareceu a Margarida
I am so so very tired so very tired all the time I can not
I actually lost the ability to can
Então resolvi que em vez de fazer meu trabalho que não está atrasado, meu trabalho que está atrasado e o trabalho dos outros (e mais o canadian day job because why not?) vou escrever aqui uma croniquinha, porque faz tempo que não escrevo.
Toca “Linger” e eu esqueço o que eu ia escrever porque lembro que de 1994 até 1999 ou mais, sei lá, eu escutava (e cantava) essa música no repeat, e quando eu escuto eu me sinto no meu quarto de adolescente de novo (paredes pintadas de azul, pichações, pôster do Ozzy) e me sinto a Renata adolescente (chuck taylor no pé, camiseta preta do coringa ou do bátima, camisa xadrez, bem lumberjane desde sempre); o friozinho delícia da minha hometown em julho/agosto; eu saindo de casa com meu walkman tocando uma mixtape pra ir no cine Belas Artes ver algum filme repetidas vezes e depois passar na cultura ver se tinha pocket books da penguin baratinhos.
Ontem mesmo eu estava pensando em algo e falei “preciso escrever isso aí” e não escrevi e o pensamento fugiu e claro que a memória da lesminha de alface não vai ter nunca a menor ideia do que era. Adianta ler todos os artigos mandando fazer interstitial journaling e não carregar um caderno? Claro que não.
Bom, março foi horrível. Eu esperava, detesto março; mas esse ano foi bem pior, odiei, não precisa bis do que aconteceu em março não. Mas passou. Mas não me recuperei, acho. Tudo acumulado, o shutdown que eu passei a vida aprendendo (com violência) a fingir que não era nada ou que era preguiça quer me pegar e eu não consigo deixar e por isso ele não vai embora e eu tou vendo que tá virando um burnout.
E eu preciso escrever sobre isso, e também preciso escrever mais outros dois livros que já estão prontos na minha cabeça e só faltam ser vomitados no papel e também preciso escrever coisas dos outros e fazer isso e aquilo e sei lá mais o quê e já me perdi de novo e já tá ficando aborrecido esse negócio que eu só sei reclamar mas é pra isso que vai servir isso aqui porque tou precisando, midexa.
Mas eu só quero pegar meu caderno Midori e uma caneta tinteiro decente com uma cor sépia ou verde escura e correr pro aeroporto e pegar o próximo voo pra Fiumicino porque tou com muita saudade da minha casa. Eu devia era querer dormir essas horas, mas essas horas eu quero ficar acordada, eu quero dormir é de manhã, que é gostosinho e todo mundo dorme comigo e é a parte mais feliz do meu dia, dormir com meus felinos, a casa escurinha e fresquinha e silenciosa, das sete às onze da manhã.
E eu lembrei o que tava pensando que queria escrever: ia escrever um textinho bonitinho apresentando meus felinos porque sempre tem alguém perguntando e eu amo amo amo contar a história de cada um, como a Minou me adotou e como ela ganhou o nome dela, e o Yukito, e o Dream, e a Clari. Mas vai ter que ficar pra outro dia, que tem que ser uma croniquinha feliz e eu hoje tou é exausta.
(oito de maio, umas onze e tanto da noite.)


♥️
Tive que abrir o YouTube e colocar para tocar "Linger" e imaginar a Renata adolescente protagonista de alguma história maneira, alguma ficção científica.
Me identifiquei muito com a parte de ter muitos trabalhos e estar exausta até mesmo de reclamar que tenho muitos trabalhos e pouco tempo ou pouca disposição.
Então comecei a prestar mais atenção para a letra de "Linger" e me identifiquei com o possível relacionamento ali relatado, e pensei em mais coisas para escrever, ou seja mais trabalho para exaurir-me.
Mas fico feliz por isso, porque gostei muito do seu texto e gosto de leituras assim que me inspiram para novos caminhos.